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segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Parodiando




 

Como na Contrafábula da cigarra e da formiga,
muitos artistas contemporâneos fazem paródia, isto é,
criam novos tipos de textos com um toque
de humor.


Os poetas a seguir também expressam sua opinião:

Sem barra

Enquanto a formiga
Carrega comida
para o formigueiro,
A cigarra canta,
Canta o dia inteiro.


A formiga é só trabalho.
A cigarra é só cantiga.


Mas sem a cantiga
Da cigarra
Que distrai da fadiga,
Seria uma barra
O trabalho da formiga.


PAES, José Paulo. Poemas para brincar.
São Paulo:Ática.


HAI-KAI

Acabou a farra
formigas mascam
restos de cigarra.


Paulo Leminski

HAI-KAI é um gênero tradicional da poesia japonesa.
O poema é composto de apenas três versos.


Humor em Quadrinhos








Todos têm um pouco de cigarra e de formiga. De que forma
isto acontece com você?

domingo, 4 de setembro de 2005

Trabalho e Arte

                                                          



Ilustração de Gustave Doré para a fábula A cigarra e a formiga, de La Fontaine.

Observe  que os animais personificados da fábula aparecem aqui como figuras humanas: a cigarra, como violonista; a formiga, como dona-de-casa.




A CIGARRA E A FORMIGA

Tendo a Cigarra cantado
durante todo o verão,
viu-se ao chegar o inverno
sem nenhuma provisão.


Foi à casa da Formiga,
sua vizinha, e então
lhe disse: - Querida amiga,
podia emprestar-me um grão
que seja, de arroz,
de farinha ou de feijão?
Estou morrendo de fome.


- Faz tempo então que não come? -
lhe perguntou a Formiga,
avara de profissão.
- Faz.
- E o que fez a senhora,


 durante todo o verão?
 - Eu cantei - disse a Cigarra.
 - Cantou, é? Pois dança, agora!


La Fontaine

Contrafábula da cigarra e da formiga

A formiga passava a vida naquela formigação, aumentando o rendimento da sua" capita" e
dizendo que estava contribuindo para o crescimento do produto nacional bruto. Na
trabalhadeira do investimento, sempre consultando as cotações da bolsa, vendendo na alta e comprando na baixa, sempre atenta aos rateios e às subscrições. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra, para verificar os dividendos de suas contas numeradas.Mas vivia também roendo-se pordentro ao ver a cigarra,com quem estudara no ginásio, metida em shows e boates,sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum. E vivia a formiga, a dizer por dentro:
- Ah, ah! No inverno, você há de aparecer por aqui, a mendigar o que não poupou no verão! E
vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você!
Ruminando sua terrível vingança, voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos
e lucros, incutindo nos filhos hábitos de poupança, consultando advogados e tomando vasodilatadores.
Um dia, quando voltava de um almoço no La Tambouille com os japoneses da informática, encontrou a cigarra no shopping Iguatemi, cantarolando como de costume. "Lá vem ela dar a sua facada!" pensou a formiga. "Ah, ah, chegou a minha vez!"
Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro. A formiga, remordida, preparando o terreno para suavingança,comentou:
- A senhora andou cantando na tevê todo este verão, não foi, dona Cigarra?
- É claro! disse a cigarra. - Tenho um programa semanal.
- Agora no inverno é que vai ser mau... - continuou a formiga, com toda a maldade na voz. - A senhora não depositou nada no banco, não é?
- Não faz mal. Os meus discos não saem das paradas. E acabei de fechar contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares...
- O quê?! - exclamou a formiga. - A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno?
- Não. Isso é só em Paris. Depois, tenho a excursão a Nova York,depois Londres, depois
Amsterdam...
Aí a formiga pensou no seu trabalho, nas suas azias, na sua vida terrivelmente cansativa e
nas suas ameaças de enfarte, enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto, cantando e se divertindo! E perguntou:
- Quando a senhora embarca para Paris?
- Na semana que vem ...
- E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris,procure por um tal La Fontaine e diga-lhe
que eu quero que ele vá para o raio que o parta!


Antônio A. Batista



E você é cigarra ou formiga?